8 dos 10 produtos mais vendidos em farma são emagrecedores, aponta NielsenIQ
Canetas GLP-1 respondem por 54% do crescimento da cesta de medicamentos no canal farma em 2026, segundo estudo sobre as principais tendências do setor
Fonte: NielsenIQ / Guia da Farmácia · 15/10/2026
Oito dos dez itens de maior faturamento no canal farma são agonistas do receptor GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. É o que aponta o estudo “Principais Tendências e Movimentações Canal Farma”, da NielsenIQ, divulgado pelo Guia da Farmácia. Segundo Domenico Tremaroli Filho, diretor de atendimento ao varejo da empresa, as canetas “se tornaram o principal fenômeno do canal farma em 2026”.
Medicamentos puxam o crescimento
Panorama do canal em 2026
- Medicamentos respondem por 75% do crescimento total em valor no ano móvel analisado.
- Os medicamentos prescritos concentram 55% da contribuição para o crescimento no segmento farmacêutico.
- Mix de receita das farmácias: medicamentos 70,6%, higiene e beleza 22,7%, alimentos e bebidas 5,1% e outros 1,6%.
O peso das canetas GLP-1
Entre os cinco primeiros colocados citados estão Mounjaro (tirzepatida), Wegovy e Ozempic (semaglutida), além de Forxiga (dapagliflozina) e Glifage XR (metformina), que não são GLP-1. O estudo não traz a lista completa dos dez itens nem o faturamento de cada um.
As canetas emagrecedoras respondem individualmente por 54% do crescimento de toda a cesta de medicamentos. Os injetáveis GLP-1 estão em 5% dos lares monitorados, e 26% dos domicílios declaram interesse em adotar o tratamento.
Fim da patente e queda de preços
A patente da semaglutida venceu em março de 2026 no Brasil. Os preços médios de Ozempic e Wegovy caíram 11,5% em abril e 13,8% em maio, o que o estudo atribui à chegada de genéricos e à maior pressão competitiva. A importância promocional desses dois produtos subiu de 7% em janeiro para 46,6% em maio, e o Mounjaro também intensificou promoções, chegando a 30,4% em maio.
Crônicos seguem no radar
Diabetes, hipertensão e outros
- Cerca de 60 milhões de pacientes no Brasil convivem com ao menos uma doença crônica, segundo estimativa citada no relatório.
- 45% dos 20 itens mais vendidos em unidades são para diabetes e hipertensão.
- Analgésicos, respiratórios e gastrointestinais também aparecem com destaque.
- Genéricos avançam em analgésicos, anticolesterolêmicos, gastroenterológicos e anti-hipertensivos, sobretudo quando as marcas de referência reajustam preços.
Grandes redes x farmácias menores
Nas grandes redes, medicamentos respondem por 82% da contribuição para o crescimento, acima da média do canal, de 77%. Nas farmácias de galeria ou de menor porte, essa fatia cai para 35%, com um mix mais equilibrado entre categorias.
Para a NielsenIQ, a demanda latente pode indicar que o pico de adoção das canetas ainda não foi atingido, com perspectiva de ampliação do acesso e redução gradual dos preços.
Matéria baseada em reportagem do Guia da Farmácia, publicada em 15/10/2026, com dados do estudo da NielsenIQ.
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