Inovação em Saúde
Vacina personalizada de mRNA reduz risco de retorno do melanoma em estudo de fase 3
Tratamento desenvolvido por Moderna e Merck, combinado ao Keytruda, apresentou resultados superiores na prevenção de recorrência e metástase em análise preliminar com mais de mil pacientes
Uma vacina experimental personalizada contra o câncer, desenvolvida pela Moderna e pela Merck, reduziu o risco de retorno do melanoma após a cirurgia, segundo resultados preliminares do primeiro ensaio clínico de fase 3 do tratamento, divulgados nesta quarta-feira (19/8).
Chamada de intismeran autogene, a vacina é diferente das utilizadas para prevenir doenças infecciosas: em vez de proteger contra o câncer antes que ele apareça, ela é produzida sob medida para cada paciente, a partir das mutações genéticas específicas do tumor. No estudo, foi testada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico da Merck já utilizado no tratamento do melanoma.
Como funciona a vacina
Uma amostra do tumor do paciente passa por sequenciamento genético para identificar mutações características daquele câncer — uma espécie de impressão digital molecular do tumor. Com essas informações, é produzida uma molécula de mRNA capaz de codificar até 34 alvos específicos (neoantígenos), orientando o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células que apresentam esses alvos. O Keytruda atua de forma complementar, bloqueando a proteína PD-1 usada pelos tumores para escapar da resposta imune.
A combinação já havia mostrado resultados positivos em estudo de fase 2, reduzindo em 49% o risco de recorrência ou morte na análise de cinco anos. Segundo as empresas, o perfil de segurança se manteve consistente, sem novos sinais de risco identificados. Os dados ainda não foram publicados em revista científica e o estudo de fase 3 continua em andamento.
Tecnologia também é testada em outros tumores
A mesma plataforma de mRNA usada na vacina contra a Covid-19 da Moderna é a base do programa INTerpath, que reúne nove estudos de fases 2 e 3 para tumores como câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e carcinoma de células renais, além de pesquisas em fase inicial para câncer de pâncreas e estômago.
“Estamos avançando em termos de novos conhecimentos. Agora, transformar isso em uma prática disseminada e institucionalizada vai depender de muitos aspectos que ainda não estão disponíveis para avaliar.”
— Stephen Stefani, oncologista
Apesar dos resultados promissores, a vacina ainda é experimental. A continuidade do estudo e a publicação dos dados completos serão determinantes para avaliar a magnitude do benefício, a segurança a longo prazo e o potencial de incorporação da estratégia ao tratamento de pacientes com melanoma.
Matéria original: Conselho Federal de Farmácia (CFF).
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