Análise inédita de cérebro humano revela ação desigual do aducanumab contra marcadores do Alzheimer.
Estudo publicado na JAMA acompanhou paciente tratado por 4,5 anos: algumas regiões cerebrais responderam ao medicamento — outras não. Achado pode explicar resultados inconsistentes entre pacientes.
Fonte: Olhar Digital · Foto: Reprodução
Uma análise inédita de cérebro humano realizada após o falecimento do paciente revelou que o aducanumab, medicamento experimental contra o Alzheimer, não agiu de forma uniforme em todas as regiões cerebrais. O estudo, publicado em julho na revista JAMA, foi conduzido por cientistas da Universidade da Pensilvânia e acompanhou o caso de um homem que recebeu o tratamento durante 4,5 anos.
O que o estudo encontrou
• As camadas mais superficiais do cérebro apresentaram redução de placas de beta-amiloide e menor acúmulo de proteína tau
• Regiões mais profundas do córtex ainda tinham grande quantidade de beta-amiloide — o medicamento pode não ter alcançado essas áreas
• Onde havia menos amiloide, também havia menos emaranhados de tau e menor perda de tecido cerebral
• Esse padrão ajuda a explicar por que terapias contra a beta-amiloide apresentam resultados inconsistentes entre pacientes
“Os achados fornecem algumas das evidências humanas mais claras até agora de que terapias contra a amiloide podem limitar o acúmulo de tau e retardar alterações cerebrais que levam à perda de memória e ao declínio cognitivo.”
— David Wolk, neurologista e diretor do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer — Universidade da Pensilvânia
A hipótese do momento do tratamento
“Este caso sugere que remover a amiloide cedo pode ajudar a limitar as mudanças que acabam prejudicando as células cerebrais.”
— Christopher Brown, neurologista e autor principal do estudo — JAMA
Contexto do aducanumab
• Em 2021, a FDA (EUA) aprovou o medicamento de forma acelerada — decisão criticada por resultados considerados ainda limitados
• Em 2024, a fabricante Biogen encerrou a produção para concentrar recursos em outras iniciativas contra o Alzheimer
• Uma revisão de 17 ensaios clínicos com mais de 20 mil participantes indicou que medicamentos contra a beta-amiloide não apresentaram benefícios clinicamente relevantes em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve
• O debate sobre o papel da beta-amiloide continua — se é causa principal ou consequência da doença
Os pesquisadores ressaltam que se trata de apenas um caso. O Alzheimer apresenta grande diversidade entre indivíduos, e novos estudos deverão indicar se intervenções iniciadas antes do surgimento dos sintomas conseguem produzir efeitos mais amplos e consistentes.
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