Abrafarma
Papel da farmácia como polo de saúde ganha evidência no Abrafarma Future Trends
O Abrafarma Future Trends 2026 abriu sua programação reunindo representantes do governo, do varejo farmacêutico, da indústria e de outros segmentos da cadeia de saúde para discutir as transformações que devem moldar o setor nos próximos anos. A edição também marca os 35 anos da Abrafarma, em um cenário de avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e novas demandas para as farmácias.
A cerimônia de abertura começou com a participação da Família Lima. Em seguida, Marcelo Cançado, presidente do Conselho Diretivo da Abrafarma, destacou a trajetória da entidade e a evolução do varejo farmacêutico brasileiro. Segundo ele, as farmácias deixaram de atuar exclusivamente como estabelecimentos de dispensação para assumir uma posição estratégica no sistema de saúde.
Cançado ressaltou que milhões de brasileiros encontram nas farmácias o primeiro contato com o sistema de saúde, seja por meio da orientação farmacêutica, da vacinação, de exames rápidos ou de outros serviços. “Somos muitas vezes a porta de entrada do cidadão para o sistema de saúde”, pontuou.
Tecnologia exige responsabilidade
O dirigente também chamou atenção para o impacto da inteligência artificial, das plataformas digitais e dos novos modelos de negócios sobre a jornada de compra e o acesso à saúde. “Devemos viver uma revolução tecnológica sem precedentes”, destacou.
Na avaliação de Cançado, a transformação abre oportunidades para ampliar o acesso, aumentar a eficiência e melhorar a experiência do consumidor. O avanço, porém, precisa ser acompanhado de responsabilidade sanitária e respeito às regras que regem a comercialização de produtos de saúde. “Quando falamos de saúde em nossas casas, inovação e responsabilidade precisam caminhar lado a lado.”
O dirigente também relacionou o cenário de transformação à reforma tributária, apontando a necessidade de adaptação das empresas e de segurança jurídica para os diferentes agentes do setor. “A implementação da reforma tributária representa uma das maiores mudanças estruturais das últimas décadas e exigirá capacidade de adaptação e permanente segurança jurídica para todos os agentes do setor”, comentou.
Ministro da Saúde compartilha novidades sobre Farmácia Popular
Um dos destaques do primeiro dia foi a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que colocou o Farmácia Popular no centro das discussões sobre acesso à saúde e parceria com o varejo farmacêutico.
Padilha ressaltou que a participação da rede privada foi determinante para ampliar a capilaridade do programa desde sua criação. “Foi isso que permitiu que o Farmácia Popular pudesse chegar em cada canto do país”, destacou o ministro, para quem o modelo de parceria com as farmácias privadas tornou o programa uma referência pela capacidade de levar medicamentos gratuitamente ou subsidiados a diferentes regiões do país.
A participação de Padilha também marcou a apresentação de uma nova etapa para o programa. O ministro citou uma nova portaria publicada no Diário Oficial da União, com mudanças nas regras de credenciamento e recredenciamento das farmácias. Entre os objetivos estão ampliar a presença do Farmácia Popular em municípios com baixa cobertura e permitir novas adesões em localidades que já contam com estabelecimentos participantes, além de aprimorar os mecanismos de monitoramento das farmácias credenciadas com uso de ferramentas de inteligência artificial.
Governo quer modernizar o programa
Mais do que ampliar a quantidade de farmácias participantes, Padilha sinalizou uma agenda de modernização do Farmácia Popular, aproveitando a capilaridade do varejo para incorporar novos serviços de saúde — entre eles, novos modelos de acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, vacinação, exames e ferramentas digitais. A proposta é utilizar a estrutura das farmácias como um ponto adicional de apoio à atenção primária.
Varejo como parte da estratégia de saúde
A ampliação do portfólio e a expansão para cidades menores aparecem como caminhos estratégicos para aumentar a relevância das farmácias junto aos consumidores. Segundo Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, quanto maior a variedade de produtos e serviços disponíveis, maior a capacidade do estabelecimento de atender diferentes necessidades em uma única jornada de compra.
O executivo também destacou o potencial de crescimento em mercados ainda menos atendidos: “Existe um espaço importante para avançarmos nas cidades menores. A expansão para esses mercados contribui para ampliar a cobertura nacional e levar cada vez mais serviços e produtos farmacêuticos a diferentes perfis de consumidores.”
Sobre a transformação dos hábitos de consumo, Mena Barreto pontuou que ela exige uma estratégia integrada entre os diferentes canais: “O digital já representa 65% das vendas, mas as lojas físicas continuam muito relevantes. O consumidor transita entre os canais e busca conveniência, variedade e acesso a novidades.”
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