Pediatras alertam para assédio da indústria de fórmulas infantis e reforçam o papel insubstituível do aleitamento materno.
No Agosto Dourado, a SBP reforça: fórmula infantil só com indicação de médico ou nutricionista. Brasil avançou de 4,7% para 45,8% de amamentação exclusiva em quatro décadas — e quer chegar a 70% até 2030.
Fonte: Agência Brasil · Foto: Reprodução
O Agosto Dourado — mês dedicado à promoção do aleitamento materno — chega em 2026 com o tema “Vida Sustentável: fortaleça o que funciona”, diretriz da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA). O Ministério da Saúde reforça que o leite materno é fundamental para a nutrição adequada, a segurança alimentar e a redução da pobreza. Para a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), um dos principais obstáculos à amamentação segue sendo o assédio comercial da indústria de fórmulas infantis.
“O que a gente percebe é que há um marketing muito grande dizendo que essas fórmulas substituem o leite materno, e não substituem. É o lobby na porta do hospital, nas redes sociais, nos consultórios, nas datas festivas.”
— Dra. Rossiclei Pinheiro, presidente do DCAM-SBP (Depto. Científico de Aleitamento Materno)
Quando a fórmula é indicada — e quem pode prescrever
Orientação da SBP sobre fórmulas infantis
• Fórmulas são seguras e necessárias apenas com recomendação de pediatra ou nutricionista
• Situações que justificam o uso: contraindicação médica da mãe (ex. HIV), impossibilidade de amamentar, insucesso no processo ou alergias do bebê
• Somente médico (preferencialmente pediatra) ou nutricionista pode prescrever fórmula infantil até 1 ano de idade
• O uso de bicos artificiais (mamadeiras e chupetas) pode causar confusão de bicos, menor produção de leite e desmame precoce — a SBP desestimula seu uso
Proteção legal — NBCAL e Lei 11.265/2006
O que a lei proíbe
• Patrocínios financeiros ou materiais a médicos em pessoa física pela indústria de fórmulas
• Propaganda de mamadeiras, bicos e chupetas
• Distribuição desses produtos a recém-nascidos de alto risco
• Uso de fotos de crianças ou frases que gerem dúvida sobre a capacidade de amamentar nas embalagens
Avanços do Brasil e meta para 2030
Evolução do aleitamento exclusivo no Brasil
• Década de 1980: 4,7% de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses
• 2019 (Enani/UFRJ): 45,8%
• Meta brasileira para 2030: 70% — acima dos 60% fixados pela Assembleia Mundial da Saúde
• O avanço comprova a eficácia de políticas públicas como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança
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