Como os remédios sabem onde agir no corpo? Farmacêuticos explicam o mecanismo de “chave e fechadura”.
Afinidade molecular, receptores e seletividade: entenda por que alguns medicamentos podem causar efeitos adversos — e por que a automedicação é um risco mesmo com remédios sem receita.
Fonte: Metrópoles · Foto: Reprodução
Você já se perguntou como os remédios conseguem agir exatamente na região do corpo para a qual foram destinados? O processo envolve um mecanismo físico-químico chamado afinidade molecular — a tendência de moléculas se ligarem de forma estável a receptores específicos. A explicação mais didática é a analogia da chave e fechadura.
“No nosso organismo, existem os chamados receptores, que seriam as fechaduras, enquanto os medicamentos funcionam como as chaves. Independente da via de administração utilizada, o medicamento circula pela corrente sanguínea e só consegue se encaixar nos receptores com formato compatível.”
— Tarcísio Palhano, farmacêutico clínico e assessor da Presidência do CFF
O caminho do comprimido até o tecido-alvo
Passo a passo: do estômago ao receptor
1. O medicamento é deglutido, vai ao estômago e se dissolve
2. Chega ao intestino, é absorvido e entra na corrente sanguínea
3. É distribuído pelo organismo — podendo ou não se acumular em tecidos fora do alvo
4. Quando encontra o receptor compatível, se conecta a ele
5. Começa a agir: ativando ou bloqueando o receptor conforme sua finalidade
Alguns fatores influenciam esse percurso. Medicamentos lipossolúveis (com afinidade por gorduras), por exemplo, têm entrada facilitada no tecido cerebral. Já medicamentos não seletivos podem se ligar a receptores de diferentes tecidos, gerando efeitos adversos. O propranolol, um antiarrítmico cardíaco, também se liga a receptores pulmonares — por isso é contraindicado para pacientes com asma.
Por que a automedicação é um risco
Remédios sem receita também exigem orientação
• Muitas doenças compartilham os mesmos sintomas. A automedicação pode mascarar sinais importantes e atrapalhar o diagnóstico correto
• Exemplo: dor de cabeça pode ser sinal de dengue, epilepsia, trauma craniano, falta de sono ou fome — tratar o sintoma sem investigar a causa é arriscado
• O ideal é tratar a causa da doença, não apenas aliviar o sintoma temporariamente
• A orientação farmacêutica é fundamental mesmo para medicamentos isentos de prescrição
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