Saiba como e onde jogar seus medicamentos vencidos ou aqueles que não utiliza mais
O descarte incorreto de remédios gera sérios riscos ambientais e à saúde pública; entenda como funciona a Logística Reversa e o papel dos pontos de coleta.
Sincofarma/SP · Julho de 2026
Os medicamentos são produtos químicos e muitos deles são classificados como resíduos perigosos. Por serem em sua maioria hidrossolúveis (solúveis em água), tornam-se uma ameaça direta quando descartados incorretamente no lixo comum, na pia, no vaso sanitário ou na rede de esgoto.
Quando lançados na rede hídrica, essas substâncias se dissolvem rapidamente, tornando sua remoção praticamente impossível. A ausência de tecnologias economicamente viáveis para filtrar tais compostos na água coloca em risco de contaminação rios, lagos e oceanos.
Riscos ao Meio Ambiente e à Saúde Pública
A contaminação não se restringe à água: ela atinge a terra, o ar e toda a biodiversidade. Esses compostos são absorvidos por microrganismos, peixes e crustáceos, inserindo-se na cadeia alimentar e impactando ecossistemas inteiros.
Risco social: além do impacto ambiental, o descarte no lixo comum representa um grave risco social. Os produtos podem parar nas mãos de catadores de recicláveis, profissionais da limpeza urbana ou crianças. A reutilização inadvertida expõe pessoas vulneráveis a doses inadequadas, princípios ativos degradados ou interações medicamentosas perigosas.
O que é a Logística Reversa de Medicamentos (LRM)?
A Logística Reversa de Medicamentos de uso humano domiciliar e suas embalagens envolve toda a cadeia farmacêutica e a sociedade. Trata-se de um conjunto de ações, procedimentos e meios para viabilizar o recolhimento e a destinação final adequada — como incineração, coprocessamento ou aterros homologados — prevenindo riscos ambientais, ocupacionais e de saúde pública.
De quem é a responsabilidade na hora do descarte?
O sistema de logística reversa funciona por meio de responsabilidade compartilhada: as farmácias e drogarias são responsáveis por disponibilizar os pontos fixos de coleta e orientar os consumidores — atualmente, o Brasil conta com mais de 8.000 pontos de coleta autorizados em drogarias comunitárias e de manipulação. Já os consumidores têm papel fundamental ao realizar a separação correta na própria residência e transportar os resíduos até um ponto de coleta.
Passo a passo para o descarte correto na sua residência
Como descartar corretamente
- Faça uma triagem periódica: verifique frequentemente a caixa de remédios de casa. Separe os produtos com prazo de validade vencido ou que não têm mais uso.
- Separe do lixo comum e reciclável: evite a contaminação cruzada. Se o item for para a reciclagem comum estando contaminado, prejudicará o meio ambiente e os trabalhadores da reciclagem.
- Acondicione corretamente: guarde os medicamentos em caixas ou sacos plásticos resistentes, devidamente fechados para não romperem no transporte.
- Identifique a embalagem: escreva “Medicamentos Vencidos” no recipiente e mantenha fora do alcance de crianças e animais.
- Inviabilize o desvio: rasgue o cartucho de papelão e a bula antes de descartar para evitar possíveis falsificações ou reutilização indevida por terceiros.
O que PODE e o que NÃO PODE ser descartado nas farmácias
O que PODE descartar nos pontos de coleta
- Sólidos: comprimidos, drágeas, cápsulas e pós (preferencialmente nas embalagens originais).
- Líquidos: suspensões, soluções e xaropes, acompanhados de suas embalagens (mesmo que vazias).
- Semissólidos: pomadas, cremes, géis e pastas, junto com suas embalagens.
O que NÃO PODE descartar nos pontos de coleta comuns
- Agulhas, seringas e lancetas (mesmo sem uso);
- Materiais perfurocortantes (como frascos de vidro quebrados);
- Medicamentos contidos em seringas com agulha;
- Medicamentos de uso veterinário;
- Outros produtos não medicamentosos (cosméticos, alimentos, produtos de limpeza).
Nota: materiais perfurocortantes e agulhas exigem descarte em coletores próprios para perfurocortantes (como os disponíveis em Unidades Básicas de Saúde) para evitar acidentes de trabalho.
“Todos nós geramos resíduos, portanto, todos temos que fazer parte da solução. Os resíduos não saem do nosso planeta, só mudam de CEP. O que é descartado de forma inadequada permanece no meio ambiente.”
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