Medicamento caro não nasce na farmácia: a tributação invisível que pesa sobre toda a cadeia da saúde

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A tributação invisível dos medicamentos: quem paga a conta ao longo da cadeia da saúde | Sincofarma/SP

Sincofarma / SP
Tributação & Cadeia Farmacêutica · Julho de 2026
Análise & Tributação

A tributação invisível dos medicamentos: quem paga a conta ao longo da cadeia da saúde.

Tributação elevada encarece medicamentos, pressiona toda a cadeia da saúde e reduz o acesso da população a tratamentos essenciais.

Por Leonardo Roesler, advogado tributarista — RCA Advogados  ·  Fonte: Abradilan

Quando o consumidor chega à farmácia e se depara com o preço elevado de um medicamento, a leitura mais comum é imaginar que a responsabilidade está apenas na indústria, na distribuidora ou no varejo. Essa percepção é incompleta. O preço do medicamento no Brasil começa a ser formado muito antes do balcão: na importação de insumos, na carga tributária incidente sobre a cadeia produtiva, nos custos logísticos, na industrialização e na complexidade fiscal que acompanha cada etapa da operação.

📊 A assimetria do setor em 2026

•  A CMED fixou reajustes máximos de 3,81%, 2,47% e 1,13% conforme o grau de concorrência

•  O reajuste médio permitido ficou em 2,47% — abaixo da inflação acumulada de 3,81%

•  As empresas absorvem aumentos tributários, cambiais, logísticos e trabalhistas sem poder recompor totalmente o preço final

A contradição permanente do setor

O setor farmacêutico opera dentro de uma contradição: o Estado reconhece medicamentos como bens essenciais e regula seus preços — mas mantém sobre a cadeia um conjunto de tributos, obrigações acessórias, regimes especiais e limitações de crédito que elevam o custo operacional das empresas. A recente discussão sobre o adicional de 1% da Cofins-Importação, validado pelo STJ mesmo com alíquota ordinária zerada, ilustra bem esse cenário: o impacto não fica restrito ao importador, mas se desloca para indústria, distribuição, hospitais, farmácias e, no fim, o consumidor.

Tributação invisível e concentração de mercado

⚠ Impacto desproporcional sobre o varejo independente

Grandes grupos conseguem absorver custos, negociar escala e reorganizar cadeias logísticas. Farmácias independentes, distribuidoras regionais e importadores especializados têm menor capacidade de absorção. A complexidade tributária não apenas aumenta preços — ela pode reduzir a concorrência, eliminar operadores menores e favorecer a concentração de mercado.

Quem paga a conta

💰 O custo tributário redistributído pela cadeia

•  Empresas farmacêuticas: margens comprimidas

•  Hospitais e clínicas: custos operacionais maiores

•  Farmácias: pressão competitiva crescente

•  Operadoras de saúde: aumento da sinistralidade

•  Consumidores: preços mais altos

•  Sistema público: custo de aquisição de medicamentos e insumos mais elevado

“Tributar medicamentos é tributar uma cadeia que sustenta vidas, empregos, inovação e acesso. Quando o sistema fiscal se torna pesado demais, a conta não desaparece. Ela apenas muda de mãos até chegar a quem menos deveria suportá-la: o paciente.”

— Leonardo Roesler, advogado tributarista e sócio do RCA Advogados

Sobre o autor: Leonardo Roesler é advogado tributarista e sócio do RCA Advogados. Mestre em Administração e Finanças pela Ohio University, possui especializações em Direito Empresarial e Tributário pela FGV, além de formações em Direito, Administração e Ciências Contábeis.

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