Receitas ilegíveis ainda geram conflitos nas farmácias

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Receita ilegível: o farmacêutico não pode adivinhar — e a lei está ao seu lado | Sincofarma/SP

Sincofarma / SP
Segurança do Paciente & Dispensação · Julho de 2026
Receitas & Segurança do Paciente

Receita ilegível: o farmacêutico não pode adivinhar — e a lei está ao seu lado.

Legislação exige prescrições claras e legíveis. Diante de dúvidas, a conduta correta é buscar esclarecimento com o prescritor antes da dispensação — e não ceder à pressão do paciente.

Fonte: CFF  ·  Foto: Reprodução

Relatos de farmacêuticos sobre situações envolvendo receitas ilegíveis continuam sendo frequentes em farmácias de todo o país. Em muitos casos, o paciente chega ao estabelecimento sem conseguir entender o que foi prescrito e espera que o farmacêutico “decifre” a letra do profissional de saúde. Quando isso não acontece, não são raras as situações de desentendimento e até episódios de grosseria contra quem está no balcão.

⚠ Por que dispensar com dúvida é arriscado

A dispensação de um medicamento diferente do que foi prescrito pode causar falha no tratamento, reações adversas, intoxicações e outros eventos que colocam a saúde em risco. Essa medida protege tanto o paciente quanto o próprio profissional.

O que diz a legislação

📋 Base legal da recusa à receita ilegível

•  Lei nº 5.991/1973: somente pode ser aviada a receita escrita de modo legível, em língua portuguesa, com tinta e com todas as informações para identificação do paciente, do prescritor e do medicamento

•  Lei nº 13.021/2014: reconhece a farmácia como estabelecimento de saúde e atribui ao farmacêutico a responsabilidade de avaliar a prescrição antes da dispensação

•  Código de Ética Farmacêutica — Resolução CFF nº 724/2022: diante de prescrição ilegível ou incompleta, o farmacêutico não deve dispensar o medicamento até que as informações sejam esclarecidas

Prescrição eletrônica e receitas manuscritas

A crescente utilização de prescrições eletrônicas tem contribuído para reduzir esse tipo de problema, com informações padronizadas e legíveis. Ainda assim, as receitas manuscritas continuam fazendo parte da rotina de muitos serviços de saúde. Nesses casos, é fundamental que o prescritor registre corretamente o nome do medicamento, a concentração, a dose, a posologia e a duração do tratamento.

💡 Orientação ao paciente

Nunca tente interpretar sozinho uma receita nem pressione o farmacêutico a fornecer um medicamento quando houver dúvidas sobre a prescrição. Se o documento não puder ser compreendido com segurança, o mais indicado é retornar ao profissional que o emitiu para solicitar os esclarecimentos necessários.

Em segurança do paciente, não há espaço para adivinhações. Há espaço para responsabilidade, comunicação clara e respeito ao trabalho de cada profissional.

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