Indústria farmacêutica projeta crescimento de 10,6% em 2026, impulsionada pelo boom dos medicamentos para emagrecimento
Brasil consolida posição entre os dez maiores mercados farmacêuticos do mundo, com destaque para a expansão da classe dos GLP-1 e o avanço de novas formulações orais.
O setor farmacêutico brasileiro se prepara para mais um ciclo de expansão em 2026. Segundo projeções da consultoria EY-Parthenon, a indústria nacional deve registrar um salto de 10,6% no faturamento em relação a 2025, consolidando o país como o maior mercado farmacêutico da América Latina e um dos dez maiores do mundo.
O crescimento acompanha uma trajetória já observada em 2024, quando o setor movimentou R$ 160,7 bilhões — alta nominal de 12,8% sobre o ano anterior —, com a comercialização de seis bilhões de embalagens, volume 5,3% superior ao registrado em 2023. Os números constam do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, estudo mais recente da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Anvisa.
Faturamento do setor em 2024
Crescimento nominal sobre 2023
Participação nas vendas da América Latina
Crescimento projetado para 2026
O avanço da classe GLP-1
Entre os principais motores dessa expansão está a categoria dos medicamentos à base de GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes. Estimativas do Itaú BBA indicam que esse segmento tenha fechado 2025 movimentando cerca de R$ 10 bilhões, com projeção de alcançar R$ 50 bilhões em 2030 — impulsionado pela chegada de versões genéricas da semaglutida após a queda da patente do princípio ativo, ocorrida em março de 2026.
— Grazielle Alves, gerente sênior da consultoria EY-Parthenon
A evolução também passa pelo formato dos tratamentos. A aprovação de uma versão oral do Wegovy pela agência americana FDA, em dezembro de 2025, reforça a tendência de migração das canetas injetáveis para comprimidos — uma mudança que deve ampliar o acesso e pressionar a competição entre laboratórios ao longo dos próximos anos.
Movimentação das grandes farmacêuticas
Principais aportes e lançamentos anunciados para 2026-2027
- AstraZeneca: três moléculas da linha de emagrecimento em estudos clínicos e acordo com a chinesa CSPC Pharmaceuticals para terapias orais de perda de peso e diabetes.
- Novartis: aumento de 45% no investimento em pesquisa clínica no Brasil (2025), com foco em doenças renais raras e oncologia.
- Aché: 55 novos medicamentos lançados em 2025 e expansão da fábrica em Pernambuco, com aporte de R$ 267 milhões em produção de estéreis.
- EMS: aquisição dos ativos de Anápolis (GO) da Fresenius Kabi e acordo para compra da Medley junto à Sanofi; expansão da linha de canetas emagrecedoras Olire e Lirux.
- Sanofi: 77 projetos em desenvolvimento, com 43% dedicados à imunologia, e três novos medicamentos lançados no Brasil em 2026.
- Roche, Cristália, Eurofarma e Blanver: novos investimentos em genética aplicada, medicamentos personalizados e expansão de plantas industriais em São Paulo.
O pano de fundo demográfico ajuda a explicar o apetite do setor por novos investimentos: a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2023, saltando de 8,7% para 15,6% da população, segundo o IBGE. O envelhecimento populacional e a maior prevalência de doenças crônicas seguem como fatores estruturais de demanda para a indústria farmacêutica.
Relevância para o varejo farmacêutico
O crescimento do mercado e a chegada de novas formulações — especialmente na linha de emagrecimento — ampliam o giro de produtos nas farmácias e exigem atenção redobrada de gestores quanto a precificação, gestão de estoque e capacitação da equipe para orientar clientes sobre os novos tratamentos disponíveis.
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