79% dos consumidores não sabem que medicamentos têm preço máximo regulado, aponta Procon-SP
Pesquisa com quase 1.900 consumidores revela desconhecimento sobre o PMC, preocupação crescente com preços e dúvidas sobre o uso do CPF nas farmácias.
Uma pesquisa do Procon-SP realizada entre 4 e 29 de maio de 2026, com 1.819 consumidores — dos quais 1.538 declararam comprar medicamentos —, revelou que quatro em cada cinco brasileiros (79,1%) desconhecem que a maioria dos medicamentos possui um teto máximo de preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Anvisa através do Preço Máximo ao Consumidor (PMC).
O levantamento mapeou hábitos de compra, percepção sobre preços, automedicação, uso de dados pessoais e canais de aquisição de medicamentos, revelando um cenário em que o custo pesa cada vez mais no orçamento das famílias.
Desconhecem o teto de preço (PMC)
Já deixaram de comprar por causa do preço
Pesquisam preço antes de comprar
Trocam a prescrição por opção mais barata
Preço pesa no bolso — e orienta a escolha
Quando recebem uma receita médica, apenas 31,73% dos entrevistados afirmam comprar exatamente o produto prescrito. A maioria, 50,20%, opta por substituir o medicamento indicado por um genérico ou por uma alternativa mais em conta — um comportamento que reforça o papel do farmacêutico na orientação sobre equivalência terapêutica e substituição responsável no balcão.
Outros destaques da pesquisa
- Entre os que já ouviram falar do PMC, quase 30% não sabem onde consultar essa informação.
- Na compra de medicamentos sem prescrição, a experiência anterior (34,20%) e a recomendação do farmacêutico (27,18%) são os principais critérios de escolha do consumidor.
- A preferência exclusiva por grandes redes físicas caiu de 51,91% para 43,17% em um ano, sinal de maior fragmentação dos canais de compra.
- 71,20% informam o CPF sempre que solicitado para obter descontos em farmácias.
- 54,29% não sabem como esses dados são tratados depois de fornecidos, e outros 35,24% dizem ter dúvidas sobre o assunto.
Comparação com 2025: o que mudou
Evolução ano a ano
| Indicador | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Desconhecimento sobre o teto de preços (PMC) | 74,82% | 79,13% |
| Percepção de que a publicidade induz à automedicação | 66,10% | 70,35% |
| Uso combinado de canais físicos e online | 31,25% | 39,40% |
Transparência no uso de dados: um ponto de atenção
O Procon-SP destaca que farmácias e drogarias precisam aprimorar a forma como explicam o uso dos dados dos clientes — não bastando informar que o CPF é necessário para obter descontos. É preciso esclarecer se as informações são compartilhadas com laboratórios, convênios médicos ou redes hospitalares, se há monetização envolvida e demais pontos previstos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para o órgão, o acesso à informação é um direito básico do consumidor, e a transparência na relação com os clientes é ao mesmo tempo uma exigência legal e uma estratégia de fidelização. Consumidores podem — e devem — pedir esclarecimentos sempre que seus dados pessoais forem solicitados no balcão.
Relevância para o varejo farmacêutico
Os dados reforçam duas frentes de atenção imediata para farmácias e drogarias associadas: comunicar de forma clara o funcionamento do PMC ao consumidor, fortalecendo a confiança na loja, e revisar os processos de coleta e uso do CPF no PDV, garantindo conformidade com a LGPD e evitando exposição jurídica.
Estabelecimentos que investem em transparência e no papel consultivo do farmacêutico tendem a se diferenciar num cenário em que a pesquisa de preço e a substituição por genéricos já são regra, não exceção.
O post Pesquisa do Procon-SP mostra que quase 80% dos consumidores que compram medicamentos desconhecem teto de preços apareceu primeiro em Sincofarma SP.