Mais da metade das canetas emagrecedoras vem do mercado informal, diz estudo

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Mercado informal pode responder por mais de 50% das doses de GLP-1 no Brasil | Sincofarma/SP

Sincofarma / SP
Mercado Farmacêutico & GLP-1 · Junho de 2026
⚠ Mercado Informal & GLP-1

Mercado informal pode responder por mais de 50% das doses de GLP-1 consumidas no Brasil.

Estudo da Scanntech mostra crescimento de 239% no uso desses medicamentos no 1º trimestre de 2026, somando mercado formal e informal.

Fonte: InfoMoney  ·  Foto: Reprodução

O mercado informal de medicamentos à base de GLP-1, que ajudam a controlar a glicemia e promovem saciedade e perda de peso, pode responder por mais da metade das doses consumidas no Brasil. A estimativa é de um estudo da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo.

Considerando a soma do mercado formal e da estimativa de consumo do mercado informal, o uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Como a Scanntech mediu o mercado informal

Para estimar a dimensão do mercado informal, a Scanntech avaliou a evolução das vendas de seringas em farmácias e construiu uma linha de base histórica associada ao consumo de insulina. O crescimento das vendas desse material acima da tendência esperada foi usado como indicador do uso de medicamentos adquiridos em ampolas, fora dos canais formais.

“Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias.”

— Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech

O perfil financeiro dos usuários

💰 Como os usuários pagam pelo tratamento

•  6% dos brasileiros adultos já usam GLP-1

•  87,4% custeiam o tratamento do próprio bolso; 72% gastam até R$ 600/mês

•  26,5% não contam com nenhum desconto; 39,2% comprometem parcela significativa da renda

•  Apenas 5,2% dos usuários declaram usar medicamentos manipulados — número bem abaixo da estimativa de mercado informal, sugerindo que parte dos usuários não tem ciência da origem do produto

A queda da patente e a chegada de novos medicamentos a partir de R$ 452 representam redução importante da barreira financeira, impulsionando tanto a formalização do consumo quanto a expansão da base de usuários. 47,3% dos entrevistados ficariam mais interessados em iniciar ou retomar o tratamento diante de novas opções no mercado.

Impacto nos supermercados

⚠ Categorias mais afetadas no varejo alimentar

O uso de GLP-1 deve reduzir 0,49% ao ano no volume total de alimentos vendidos em supermercados. As maiores quedas estão em cerveja (-1,03%), petiscos e snacks (-0,82%), chocolate (-0,72%), biscoitos (-0,63%), goma de mascar (-0,55%), refrigerantes (-0,55%) e balas (-0,51%).

Usuários de GLP-1 consomem de 4 a 5 vezes mais cerveja, destilados, delivery, restaurantes e fast food que não usuários, e gastam de 2 a 3 vezes mais com academias, suplementos e vitaminas — perfil que explica o impacto da redução de consumo nessas categorias.

Setores vencedores

📈 Categorias em crescimento

Alimentos frescos (+11,5%), academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água com e sem gás (+7,9%) e vitaminas e suplementos (+7,4%). Entre os usuários, 29% relataram perda de massa magra — dado que ajuda a explicar o crescimento em proteínas e suplementos.

Motivações e perfil de uso

O combate à obesidade é a principal motivação declarada (29,5%), seguida pela perda rápida de peso (28,6%), manutenção de peso (24,1%) e controle do apetite (23,8%) — acima de questões de saúde como redução de risco cardiovascular (22,8%) e diabetes tipo 2 (16,7%).

O maior consumo está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. O período de uso tende a ser curto: 66,5% estão em tratamento há cinco meses ou menos, e 63,7% declaram baixa ou muito baixa intenção de continuar.

“Um dos aspectos mais relevantes observados na pesquisa é que parte das mudanças nos hábitos alimentares persiste mesmo após o fim da utilização do GLP-1. Entre os usuários atuais, 54% afirmam que alimentação saudável é prioridade, enquanto os índices registrados entre ex-usuários permanecem acima dos observados entre quem nunca utilizou o medicamento.”

— Priscila Ariani, Scanntech

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