Sites da dopamina simulam experiências cotidianas e ganham espaço entre jovens da Coreia do Sul.
Plataformas reproduzem atividades como pedir comida ou fazer compras sem que nada aconteça de verdade, oferecendo uma sensação imediata de satisfação.
Fonte: UOL · Foto: Reprodução
Passar por uma experiência sem vivenciá-la de fato, apenas pela sensação de uma recompensa rápida, ainda que ela não seja real. Esse é um hábito que vem crescendo entre os jovens da Coreia do Sul. Cada vez mais, a geração Z tem aderido a uma nova tendência conhecida como mercados ou sites da dopamina — plataformas criadas para reproduzir atividades cotidianas e proporcionar uma sensação imediata de satisfação e estímulo.
Como funcionam essas plataformas
O que essas plataformas simulam
• Pedir comida em um app de delivery — o pedido é montado, mas a comida nunca chega
• Navegar por uma loja virtual, encher o carrinho e acompanhar uma entrega fictícia, sem nenhuma compra real
• Simular pausas para fumar ou momentos de convivência, oferecendo sensação de companhia ou relaxamento
Segundo levantamento do jornal Korea Times, o fenômeno está mais ligado à antecipação e ao ritual do que ao resultado final. A ideia é reproduzir a pequena descarga de satisfação associada a comprar algo ou pedir comida, mas sem os custos financeiros ou os efeitos do consumo real.
Mesmo sendo uma experiência simulada, ela pode contribuir para a liberação de dopamina — neurotransmissor responsável por regular os mecanismos de recompensa e prazer do cérebro.
“Na verdade, eu não estou fumando, mas a sensação é como se estivesse fazendo uma pausa com alguém. É estranhamente reconfortante.”
— Lee, estudante universitário de 24 anos
O que explica esse comportamento
Segundo Kim Heon-sik, professor da Universidade Jungwon, esses sites refletem o desejo de experimentar uma sensação de satisfação semelhante à da vida real sem participar efetivamente dela. Boa parte do prazer associado ao consumo não está no produto em si, mas na expectativa da recompensa — momento em que ocorre uma das maiores liberações de dopamina.
“Esta é uma era marcada pela incerteza em relação ao futuro e pelo esgotamento. As pessoas tendem a encontrar conforto simplesmente ao se sentirem minimamente conectadas online.”
— Kim Heon-sik, professor da Universidade Jungwon
Contexto socioeconômico
O fenômeno tem sido associado ao alto custo de vida, ao estresse e à pressão econômica enfrentados pelos jovens sul-coreanos. Muitos usuários argumentam que recorrem a essas plataformas não porque sejam melhores que a experiência real, mas porque a experiência real se tornou mais cara, mais difícil ou mais estressante.
Apesar de parecer inofensivo, o fenômeno levanta questionamentos sobre os hábitos de uma geração que busca pequenas doses de conforto em uma realidade marcada por pressões econômicas, excesso de trabalho e hiperconectividade. Nas redes sociais, as reações se dividem entre quem considera a prática uma forma criativa de lidar com o estresse e quem a vê como um sinal preocupante de substituição das experiências reais por versões simuladas.
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