Obesidade e envelhecimento devem pressionar gastos do SUS

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Obesidade e envelhecimento devem pressionar gastos do SUS

Saúde Pública

Obesidade e envelhecimento devem pressionar gastos do SUS

Projeções indicam que o avanço do excesso de peso em uma população que envelhece pode elevar os custos do sistema público a R$ 2 bilhões por ano só com infartos

Fonte: TecMundo / Estadão · 29/09/2026

O avanço do sobrepeso e da obesidade em uma população que envelhece pode pressionar as despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) nas próximas décadas. O contingente de adultos brasileiros com excesso de peso era estimado em 100 milhões em 2024, com projeção de chegar a quase 140 milhões em 2040 — alta de 40%, enquanto a população adulta deve crescer apenas 12% no mesmo período.

100 mi → 140 mi
adultos com excesso de peso (2024 a 2040)
R$ 1,01 bi
gasto do SUS com infarto em 2024
R$ 2 bi
projeção anual com infarto em 2040

Impacto já é mensurável

Em 2024, o SUS destinou R$ 1,013 bilhão a internações por infarto agudo do miocárdio, somando serviços hospitalares e de pessoal. Sem mudanças na incidência da doença, apenas o envelhecimento da população levaria esse valor a aproximadamente R$ 1,5 bilhão em 2040. Considerando também o avanço da obesidade, a despesa anual chegaria a R$ 2 bilhões só com essa causa — trajetória semelhante é projetada para pressão alta, diabetes, derrames e alguns tipos de câncer.

O contexto do debate sobre canetas de GLP-1

  • O Ministério da Saúde já pediu à Conitec a avaliação da incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS, projetando custo de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano
  • Em agosto, a Conitec havia recomendado a não incorporação de semaglutida e liraglutida, citando impacto orçamentário estimado em R$ 8 bilhões anuais em cenário mais amplo
  • Uma proposta mais restrita, voltada a pacientes obesos que já sofreram infarto, estimou cerca de 39 mil pessoas beneficiadas, com custo anual entre R$ 500 e R$ 650 milhões

O desafio para o SUS não é apenas o custo dos medicamentos: a Conitec já apontou a necessidade de acompanhamento psicológico, atividade física e outras ações integradas para viabilizar a incorporação desses tratamentos de forma responsável.

O quadro reforça um ponto central para farmácias e drogarias: o combate à obesidade e ao excesso de peso deixa de ser uma questão apenas individual e passa a fazer parte do planejamento de saúde pública de longo prazo — com efeitos diretos sobre a demanda por medicamentos, acompanhamento nutricional e orientação farmacêutica.

Matéria baseada em reportagem publicada pelo TecMundo/Estadão em 29/09/2026, com dados do Vigitel e projeções sobre gastos do SUS.

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