Genéricos de GLP-1 podem elevar de 28% para 45% o acesso financeiro ao tratamento, aponta pesquisa com médicos.
Levantamento da Febrafar ouviu mais de mil médicos de quatro especialidades. 65% dos pacientes não conseguem manter a posologia por razões financeiras.
Fonte: InfoMoney · Foto: Reprodução
Medicamentos GLP-1 ganharam espaço nos consultórios brasileiros pelos resultados no tratamento da perda de peso e do diabetes tipo 2, mas seu custo ainda trava a expansão dos tratamentos no país. Segundo médicos, essa realidade deve mudar com a chegada dos genéricos ao mercado, o que pode elevar de 28% para 45% a parcela de pacientes com condições financeiras para arcar com a terapia.
É o que mostra a pesquisa “Percepção médica em relação aos medicamentos GLP-1 no Brasil”, do Instituto de Pesquisa e Estudos para o Consumo (IFEPEC), ligado à Febrafar. O estudo ouviu 1.067 médicos em todo o país, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3%, distribuídos entre clínica médica, cardiologia, medicina de família e endocrinologia.
Abandono do tratamento por razões financeiras
65% dos pacientes que iniciam o tratamento com GLP-1 não conseguem manter a posologia recomendada ou acabam abandonando o uso por razões financeiras.
A diferença de preço entre os originais e os genéricos é expressiva: o Ozivy (EMS) chegou ao mercado custando entre R$ 452 e R$ 498, valores muito inferiores à faixa de R$ 800 a R$ 1.400 dos medicamentos da Novo Nordisk.
Comunidade médica desconfiada?
Confiança dos médicos nos similares de GLP-1
• 72% se declaram otimistas ou muito otimistas com a chegada de genéricos e biossimilares
• Apenas 23% prescreveriam os novos produtos sem condições; 36% fariam isso desde que confiassem no fabricante
• 27% querem conhecer melhor os medicamentos antes de adotá-los; 14% preferem aguardar
• 78% tendem a prescrever uma marca específica de similar, contra apenas 22% que priorizam a molécula
Pacientes pedem o GLP-1 logo na consulta
A procura pelos medicamentos já é rotina nos consultórios: 18% dos pacientes pedem o GLP-1 logo no início da consulta, 33% manifestam o desejo e perguntam a opinião do médico, 23% perguntam apenas no fim da consulta, e 26% não se manifestam.
Perfil das prescrições
• 77% das prescrições estão relacionadas à obesidade e a objetivos estéticos
• 23% permanecem vinculadas ao tratamento do diabetes
• Em média, 7% dos pacientes chegam à primeira consulta relatando uso prévio sem indicação médica
Efeitos adversos e benefícios além da perda de peso
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados são gastrointestinais — náusea, constipação, vômitos, diarreia, dispepsia, refluxo, flatos e arrotos com gosto de enxofre. Também foram citados cefaleia, fadiga, tontura, alterações de humor e aversão à comida. Entre os efeitos de longo prazo, perda de massa magra (sarcopenia) e envelhecimento facial.
Apesar dos riscos, os médicos destacam benefícios que vão além da perda de peso: controle glicêmico, redução da compulsão alimentar, proteção cardiovascular, diminuição do risco de infarto e AVC, melhora do colesterol e triglicerídeos, prevenção de doença renal crônica, tratamento da gordura no fígado, além de melhora da apneia do sono e de dores articulares.
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